Farol

Farol
Aviso aos navegantes

domingo, 29 de agosto de 2010

E quando anão cavalgar ornitorrinco

na catraca do estômago bola de pingue-pongue
matará albatroz, pássaro onívoro, das ilhas
não mais isoladas pelo oceano
indicado para se jogar o lixo.
Oceano Pacífico, Atlântico, Índico,
desarticulados do Ártico,
tentados a desarticular o Antártico,
que nunca terão a densa
pureza do Mar Morto.

catraca, catraca, catraca;
catraca, catraca, catraca.

que catacrese, que nada,
o peixe voador voa para
fugir do mar infectado pelo pus
do abscesso civilizatório.

a bióloga cata esferovites,
metais e peças de plástico
no bucho do albatroz onívoro;
na alva e nos crepúsculos e nas tardes
dos programas televisivos do National Geographic.
Inspiring people to care about the planet since 1888.

Soneto sem flores

Soneto, recaída, é um antiquado forro

usado no sofá dos provectos avôs.

A moda agora é poema anantóforo:

sem jasmim, sem camélias, sem rosas ou cravos;


importa o cheiro urbano da marginalidade,

labéus das bancarrotas de um socialite,

velhinha traficante apesar da idade

e o emagrecimento da dieta light.


Porque sem grana só tenho uma calça jeans,

mesmo se odor agora lembre o do gambá,

quem, nesta recaída, soneta é um canalha.


Exposta nas revistas, em jardins e casas,

que se pretendem belas, assépticas, cleans;

a flor que subsiste agora é a da algália.